Eu nunca fui uma moça contida.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida,pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido e sem soluções.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim.Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho.E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros,mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma,no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou.
Ando aprendendo a não vá levar tudo tão a sério,e sentindo que dá,deixo correr. Se eu souber confiar no meu critério,nada a temer.Não vou levar tudo tão na boa,brigo para obter o melhor.
Eu sou Taurina e Taurina não pede licença,entra,arromba a porta.Nunca tive medo de me mostrar,você pode ficar escondido em casa protegido pelas paredes,mas você tá vivo e essa vida é pra se mostrar,esse é o meu espetáculo,só quem se mostra se encontra, por mais que se perca no caminho.
Sou da geração do desbunde,nunca tive saco pra milicos,desfiles e gente com medo,todo mundo ficava paralizado,mudo,anestesiado,não dava pra fingir que não tinha nada,pra mudar alguma coisa tivemos que gritar,nos drogar ir pra rua enfrentar nossa própia fraqueza,era uma maneira de não se render,de não ficar careca,careta.
Talvez meu crime seja pensar demais,acabo perdendo muitas coisas por isso não sei se chamo isso de defeito ou um bem á si própio,pois acredito que pensando se consegue chegar a uma resposta exata sem virgulas ou reticências ,mais isso não me importa tenho meus amigos pra me protegerem e tenho eles por toda parte,na praia,teatro,favela,amigo jornalista,garçon,vagabundo,meu negócio nao é somar é multiplicar,sozinha não dou conta,ando em bando,camuflada,mascarada fazendo festa,me sinto em casa no meio da rua, na madrugada,na multidão,eu sou da tribo do abraço e me sinto bem assim.
Deycy J.P.Carvalho e outros Autores*-*